"Ele assusta. Tudo bem, eu sou suspeito para falar. Mas todo mundo no Santos está encantado com ele", observa o ex-meia Robert, vice-campeão brasileiro de 1995.
Ele reconhece ser parcial nos comentários porque é o responsável pelo fato de o garoto estar na Baixada. Foi quem o indicou à diretoria depois de vê-lo fazer exibição de embaixadinhas em um torneio de showbol, no Rio de Janeiro.
Faltas/ Na sessão de fotos para o DIÁRIO, em campo de futebol society no bairro de Campo Grande, em Santos, Dodô despertou curiosidade. Marmanjos pararam a churrascada apenas para observá-lo. Alguns tiraram fotografias das cobranças de falta do precoce jogador.
Está se tornando comum clubes apostarem em crianças que mal deixaram as fraldas. No início do mês, o Real Madrid anunciou a aquisição do argentino Leonel Coira, de 7 anos.
Morando com a família em casa alugada a 300 metros da Vila Belmiro, Dodô já recebe ajuda de custo ? aproximadamente R$ 500. Com assinatura de contrato com o pai, Valdevino Adelino dos Santos, o valor deverá ser multiplicado.
Vai depender muito também do desempenho no Campeonato Paulista Sub-11. Antes de ser inscrito na federação, Dodô estava só treinando. A estreia poderá acontecer no próximo dia 21, contra o Cotia.
A diretoria evita a todo custo fornecer informações sobre o menino. "Graças a Deus, temos uma base muito boa, mas eu não tenho autorização para comentar sobre ele ou qualquer outro jogador", explica o supervisor Bebeto Stival.
Revolta / O Fluminense já fez de tudo para repatriar o jovem Dodô. O menino atuava pelo clube das Laranjeiras, mas o pai não conseguia mais custear as viagens de Angra dos Reis, onde morava a família, até o Rio de Janeiro.
"Eu me lembro de que, quando houve aquela tragédia do desmoronamento de terra na região serrana (em janeiro), nenhum ônibus conseguia chegar até Angra. Não tinha dinheiro para pagar pensão, hotel... Tirei uma das camisas que usava, fiz de travesseiro para o Dodô e ele dormiu na rodoviária. Fiquei acordado a noite inteira, vigiando. Não tinha condições nem de comprar lanche", conta o pai Valdelino.
As viagens quase diárias eram um martírio financeiro. Camelô, o pai contava com ajuda de parentes ou mesmo desconhecidos para contribuírem com R$ 5 ou R$ 10. "Cheguei a pensar em desistir de tudo, mas o Dodô falou para eu ter paciência com ele porque realizaria os nossos sonhos", completa.
Durante a Copa Brasil Sub-15, realizada há três meses, em Arapongas, no Paraná, dirigentes do Fluminense abordaram integrantes da comissão técnica santista. A queixa: o Peixe estaria roubando jogadores da equipe. O Flu pediu a "devolução" deles.
O verbo foi usado no plural, mas a queixa era referente a apenas um garoto: Dodô. A resposta alvinegra foi que a família se mudou por livre e espontânea vontade. "Não era mais possível continuar. Eles não nos davam nem o dinheiro da condução", explica Valdelino.
Se o menino se tornar o jogador que o Santos espera, terá sido um erro histórico do Flu.
Fonte: diariosp.com.br
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