"

terça-feira, 19 de julho de 2011

Elano desabafa: “Foi pior do que perder o Mundial”




Na ultima segunda-feira, às 6h30, o jogador Elano estava no hall do Hotel Sofitel, em Los Cardales - local da concentração da seleção - à espera da condução que o levaria para um dos aeroportos de Buenos Aires. Por alguns minutos, o jogador conversou com Sílvio Barsetti e Paulo Galdieri enviados especiais do Jornal o Estado de SP e fez um desabafo. Não dormiu a noite inteira, chorou muito e disse que estava "sofrendo demais" com o desfecho da participação do Brasil na competição.

Ele também contou como foi a noite dos atletas depois do fracasso no jogo com o Paraguai. "Ninguém dormiu. Cada um ia para o quarto do outro, todo mundo desorientado. Todo mundo muito mal."

Com expressão abatida, Elano falou da dor pelo insucesso. "Ninguém imagina o quanto nós sofremos. Jogador de futebol, nessas horas, sofre muito."

Como explicar a eliminação da forma como ocorreu?
É difícil, muito triste isso tudo. Estou com o peso de ter perdido aquele primeiro pênalti. Vou levar tempo para me livrar disso. Estou vivendo um dos dias mais tristes da minha vida.

O que houve exatamente na hora da cobrança?
Quando eu corri para a cobrança, percebi que o gramado afundava. Meu pé de apoio, o esquerdo, afundou na grama na hora que chutei a bola.

Teve a impressão naquele instante de que desperdiçaria a cobrança?
Total. Foi tudo muito rápido. Mas, um segundinho antes de tocar a bola, me bateu o desespero: pensei no pior, foi terrível. Quando dei o chute e a bola subiu daquela maneira, senti algo terrível, não dá para descrever.

Por que o técnico Mano Menezes decidiu que você seria o primeiro a cobrar?
Eu fui até ele e pedi. Queria ser o primeiro. Estava confiante. Bater pênalti é uma das coisas que mais faço, no Santos e na seleção. Meu aproveitamento nos treinos aqui na Argentina era dos melhores.

A dor da perda da Copa América se equipara à tristeza pela eliminação na Copa do Mundo da África do Sul?
Para mim, foi a pior experiência profissional da minha carreira. No Mundial, eu estava machucado. Agora, eu tive um papel diferente. Eu é que comecei a série de cobranças e errei. Eu é que peguei a bola para abrir a série de cobranças. O foco estava em mim.

Como foi a noite de vocês, jogadores?
Ninguém dormiu. Cada um ia para o quarto do outro, todo mundo desorientado. Todo mundo muito mal. A gente ficava resenhando, lembrando de lances da partida, da falta de sorte nas finalizações, das críticas que viriam.

Você chorou?
Claro, todo mundo chorou. Meus olhos (vermelhos) não mentem. Ninguém imagina o quanto nós sofremos. Jogador de futebol, nessas horas, sofre muito. E só tem amparo da família e de poucos amigos. O mundo todo se volta contra os jogadores, a imprensa, os torcedores, todos. Muitas vezes nos olham como se fôssemos máquinas. Não somos máquinas. Lá dentro a dor é profunda. Somos pessoas públicas, queremos fazer o melhor, acertar sempre. O futebol desperta paixão. O futebol brasileiro mais ainda.

Como lidar com tudo isso?
Sei que isso passa. Vou seguir. Meus colegas não têm culpa, mas, nessas horas, quem joga fora do Brasil acaba lidando melhor com a situação. Eu vou me apresentar ao Santos, vou estar mais conectado com essa pressão toda. Mas não sou de fugir. Sempre encarei desafios, nunca vou deixar uma pergunta sem resposta. Só peço que me respeitem. Tenho uma profissão, sou bem-sucedido, tenho a minha independência financeira, a minha família, minhas obrigações e responsabilidades. Respeito as críticas e sei que todos podem cometer erros no trabalho. Faz parte da vida. O ser humano é assim mesmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário