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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fubebol de Base: A dupla de Gabriel

Pelé e Coutinho, Diego e Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso. O torcedor do Santos acostumou-se a ver duplas que marcaram época e conquistaram títulos com a camisa alvinegra. Até alguns meses, já se desenhava, na base da Vila Belmiro, o surgimento de uma nova dupla, formada pelos badalados Jean Chera e Gabriel. Mas a saída do primeiro abriu espaço para um novo protagonista nessa dupla. E os mais fortes candidatos são dois xarás: um teoricamente favorito (Victor Andrade) e um outsider de respeito (Vítor Hugo).

O momento de ambos dá um tom de equilíbrio à disputa. Ambos fizeram parte do elenco vice-campeão da recém-findada Copa 2 de Julho Sub-17 e estão em plena disputa do Paulista Sub-17. Vítor Hugo, de 17 anos, marcou sete gols na Bahia e foi titular ao longo de toda a competição, enquanto Victor Andrade, de 15 (faz 16 em setembro) acabou sendo reserva, mas marcou duas vezes - um deles na decisão contra o São Paulo. Por sua vez, este último é o goleador santista no Estadual com sete tentos - o primeiro contabiliza três.


É no quesito badalação que a vantagem aponta ao mais jovem dos xarás. Victor Andrade chegou ao Peixe em 2007, aos 12 anos, após se destacar em um torneio disputado em Portugal pelas categorias inferiores do Benfica e ser alvo de reportagem no Fantástico. Quando desembarcou no litoral, o atacante sergipano foi listado ao lado de Neymar, Jean Chera e Gabriel no chamado "Santos do Amanhã", um hotsite na página oficial do alvinegro praiano em que os mais promissores da Vila Belmiro eram "apresentados" à torcida.

Após um começo apagado e ofuscado por Jean Chera, Victor brilhou em 2008. Líder do time sub-13 no Paulista - que tinha Gabriel recém-chegado do sub-11 -, sagrou-se campeão estadual e artilheiro do campeonato. Daí em diante, o atacante tomou para si os holofotes dentre os /95, mesmo sem ter convocações para seleções de base. De lá para cá, recusou convites de Internazionale e Benfica, ganhou um site oficial e patrocínio da Nike. Em setembro, deve assinar seu primeiro contrato e - cogita-se - ganhar um plano de carreira.

Vítor Hugo, por sua vez, chegou sem alarde do São Paulo e até por isso seu crescimento salta aos olhos. Ganhou destaque em 2009, quando foi o goleador da Copa Nacional Sub-15 - superando o próprio Victor Andrade. No Paulista Sub-15 daquele ano, brigou pela artilharia com Ademilson - que esteve no Mundial Sub-17 deste ano. Acabou superado por um gol (23 a 22) pelo são-paulino, mas foi decisivo (fez o gol do título) e acabou recompensado com uma convocação para um torneio em Guadalajara, com a seleção sub-16.

Do ponto de vista técnico, outro equilíbrio. Victor Andrade é um atacante nato, bastante habilidoso e veloz, como mostrou na Copa 2 de Julho. Já Vítor Hugo, se não prima por grande habilidade (embora tenha bom drible), é outro homem de frente de ofício, mas que se destaca pelo senso de posicionamento e pelo poder de decisão. Já sob a ótica tática, o xará mais velho tem a seu favor a característica de também poder jogar como meia-armador - aliás, função que o próprio Gabriel passou a exercer e para a qual tem sido chamado para a seleção sub-15.
Por um lado, somente Victor Andrade efetivamente jogou com Gabriel (atuaram juntos em 2008 e 2010, conquistando o Paulista Sub-13 e o vices entre os sub-15) - e bem se sabe como o entrosamento na base foi importante para o sucesso de Diego e Robinho. Em contrapartida, Ganso e Neymar jogaram juntos por pouco tempo nos juniores e se acertaram somente quando profissionais. E vale lembrar: a dupla "da moda" entre 2007 e 2008 na Vila era Neymar e Geovane - com este último até mais elogiado que o hoje atacante da seleção.
Claro que é cedo para prever o ocupante dessa teórica "lacuna" deixada por Jean. Até porque o próprio Gabriel ainda é um garoto de 15 anos - mesmo tido como um dos mais promissores do País - e pode ter um desenrolar de carreira mais semelhante ao de Geovane que o de Neymar. Todavia, considerando as (boas) possibilidades de "Gabigol" estourar, no cômputo geral da obra, Victor Andrade pode até estar hoje um passo a frente, mas Vítor Hugo está longe de ser uma carta fora do baralho. Melhor para o Santos.

Fonte: www.olheiros.net.

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