Pelé e Coutinho, Diego e Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso. O torcedor do Santos acostumou-se a ver duplas que marcaram época e conquistaram títulos com a camisa alvinegra. Até alguns meses, já se desenhava, na base da Vila Belmiro, o surgimento de uma nova dupla, formada pelos badalados Jean Chera e Gabriel. Mas a saída do primeiro abriu espaço para um novo protagonista nessa dupla. E os mais fortes candidatos são dois xarás: um teoricamente favorito (Victor Andrade) e um outsider de respeito (Vítor Hugo).
O momento de ambos dá um tom de equilíbrio à disputa. Ambos fizeram parte do elenco vice-campeão da recém-findada Copa 2 de Julho Sub-17 e estão em plena disputa do Paulista Sub-17. Vítor Hugo, de 17 anos, marcou sete gols na Bahia e foi titular ao longo de toda a competição, enquanto Victor Andrade, de 15 (faz 16 em setembro) acabou sendo reserva, mas marcou duas vezes - um deles na decisão contra o São Paulo. Por sua vez, este último é o goleador santista no Estadual com sete tentos - o primeiro contabiliza três.
Após um começo apagado e ofuscado por Jean Chera, Victor brilhou em 2008. Líder do time sub-13 no Paulista - que tinha Gabriel recém-chegado do sub-11 -, sagrou-se campeão estadual e artilheiro do campeonato. Daí em diante, o atacante tomou para si os holofotes dentre os /95, mesmo sem ter convocações para seleções de base. De lá para cá, recusou convites de Internazionale e Benfica, ganhou um site oficial e patrocínio da Nike. Em setembro, deve assinar seu primeiro contrato e - cogita-se - ganhar um plano de carreira.
Vítor Hugo, por sua vez, chegou sem alarde do São Paulo e até por isso seu crescimento salta aos olhos. Ganhou destaque em 2009, quando foi o goleador da Copa Nacional Sub-15 - superando o próprio Victor Andrade. No Paulista Sub-15 daquele ano, brigou pela artilharia com Ademilson - que esteve no Mundial Sub-17 deste ano. Acabou superado por um gol (23 a 22) pelo são-paulino, mas foi decisivo (fez o gol do título) e acabou recompensado com uma convocação para um torneio em Guadalajara, com a seleção sub-16.
Do ponto de vista técnico, outro equilíbrio. Victor Andrade é um atacante nato, bastante habilidoso e veloz, como mostrou na Copa 2 de Julho. Já Vítor Hugo, se não prima por grande habilidade (embora tenha bom drible), é outro homem de frente de ofício, mas que se destaca pelo senso de posicionamento e pelo poder de decisão. Já sob a ótica tática, o xará mais velho tem a seu favor a característica de também poder jogar como meia-armador - aliás, função que o próprio Gabriel passou a exercer e para a qual tem sido chamado para a seleção sub-15.
Por um lado, somente Victor Andrade efetivamente jogou com Gabriel (atuaram juntos em 2008 e 2010, conquistando o Paulista Sub-13 e o vices entre os sub-15) - e bem se sabe como o entrosamento na base foi importante para o sucesso de Diego e Robinho. Em contrapartida, Ganso e Neymar jogaram juntos por pouco tempo nos juniores e se acertaram somente quando profissionais. E vale lembrar: a dupla "da moda" entre 2007 e 2008 na Vila era Neymar e Geovane - com este último até mais elogiado que o hoje atacante da seleção.
Claro que é cedo para prever o ocupante dessa teórica "lacuna" deixada por Jean. Até porque o próprio Gabriel ainda é um garoto de 15 anos - mesmo tido como um dos mais promissores do País - e pode ter um desenrolar de carreira mais semelhante ao de Geovane que o de Neymar. Todavia, considerando as (boas) possibilidades de "Gabigol" estourar, no cômputo geral da obra, Victor Andrade pode até estar hoje um passo a frente, mas Vítor Hugo está longe de ser uma carta fora do baralho. Melhor para o Santos.
Texto: Lincoln Chaves
Fonte: www.olheiros.net.
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