Vejam as principais partes da entrevista do Treinador do Santos Muricy Ramalho ao jornalista Antero Greco, publicada no Jornal O Estado de São Paulo, sexta-feira dia 10 de Junho de 2011.
Como o senhor está para os dois jogos finais?
Torneio importante, diferente mas não sou maluco por isso. Os outros é que ficam falando que preciso ganhar Libertadores. Nem penso nisso. Durmo muito bem antes dos jogos. Só perco o sono depois, por causa do estresse. Vou dormir às 5 da manhã e acordo as 7. Fora isso, nada, sou técnico de futebol e fui contratado pelo Santos para fazer um trabalho de longo prazo.
Tem problemas com mata-mata? Perdeu torneios assim.
Não sou bom de lembrar. Sei que cheque uma vez na final da Libertadores, em 2005(na verdade, em 2006 quando o São Paulo caiu diante do inter), e perdi. Mas ganhei muitos torneios e perdi outros desse jeito. É da profissão. Eu vivo disso. E sei que vivo dos resultados.
O senhor se acha melhor técnico do Brasil na atualidade?
Não sei se sou. Mas estou entre os melhores. Pelo menos a imprensa me elegeu 5 vezes. Aonde chego ganho títulos, valorizo atleta. Jogadores meus vão pra seleção, os clubes lucram com vendas. Meus números são bons, excelentes. Acho que assim se deve avaliar o técnico.
E não é o que acontece?
Não. Aqui no Brasil o cara ganha, ganha, ganha e o pessoal fala sempre, mete a boca. Fala menos, mas fala. Tem que analisar o técnico pelo trabalho dele no dia a dia, o custo/beneficio. Não na base do se ganhou Server, se não ganhou não serve. Mas estou acostumado.
Por falar em acostumado: está mais tranqüilo ou é impressão?
Muito mais. Acho que a gente vai ficando mais velho e muda. Levanto menos do banco, já não saio sem voz dos jogos.
Não ficou com receio de assumir o Santos, ser eliminado na Libertadores e receber criticas?
Sabia dos riscos. Mas confio no meu trabalho. Se eu quisesse, poderia ter pegado o Santos depois, no Brasileiro. Entrava na boa. Mas não sou assim. O Clube me queria e ia esperar. Peguei o Santos no jogo com o Cerro, fora de casa e não podia nem empatar. E não tinha Neymar, o Elano, o Zé Eduardo. Fomos lá e ganhamos.
O que mudou no Santos?
A concentração. Os jogadores ficaram mais focados e menos pilhados. Brigavam com juiz, com adversários. Tirei essa pressão deles. Na Libertadores, mostrei que não tinha essa conversa de guerra. É futebol, e bola.
Mas o senhor mexeu só nos aspecto psicológico?
Não. Eu via o Santos de fora. E via que individualmente era um dos melhores do Brasil, só estava um pouco desordenado. Se atacava e perdia bola na frente, ficava aberto. A gente não mudou a característica de jogar, continuamos a atacar, mas com mais equilíbrio. Lembro que falavam dos meus zagueiros (Edu Dracena e Durval), que eram ruins. São grandes zagueiros, só precisavam proteção.
O Ganso esta pronto?
Ele está um mês sem jogar e tem treinado forte. Dois período e esta bem. Não tenho certeza s e vai joga o primeiro jogo. Mas o segundo certamente. Ele esta bem fisicamente.
E é tudo isso que dizem?
Ele joga muito, é diferenciado. Meia antigo, mete a bola onde quer. Ele faz coisas incríveis no treino e no jogo. Tem visão demais. É o cara que ta faltando na seleção, não é? O meia de ligação, o cara que alimenta o ataque. Ele é demais.
E fica ou vai embora?
Não me ligo nisso. Quanto cheguei no Santos, todo mundo falava com ele a respeito transferências (os clubes de Milão, Inter e Milan, estariam interessados). Eu não ia encher a paciência dele com essa conversa. Então, falo com ele de futebol, do que ele sabe, do que ele pode fazer. Mas tô vendo que anda tranqüilo, sereno. E depois da Libertadores a gente vai saber se fica. Se ficar o Santos tem baita contrato pra ele. Mas futebol é negócio, tem muita gente envolvida e que quer ganhar dinheiro...
Seu time está bom, no limite ou no bagaço?
Agora esta ótimo. Tivemos dois meses muito desgastantes. É muita pressão, muito estresse pra todo mundo. No começo do Brasileiro, tivemos uma semana de folga. Contra o Botafogo, alguns folgaram, vão folgar de novo. Deu pra recuperar todo mundo. Meu temor é o psicológico e as contusões.
Psicológico Como?
Jogos decisivo toda hora, um atrás do outro, cansa demais. Mas o grupo agora esta confiante, com cabeça boa. E falei que não é pra ninguém mudar as características. O Peñarol é bom, forte no jogo aéreo, mas vamos jogar no nosso estilo.
Com liberdade para o Neymar?
Claro. Vou falar pra ele não driblar? Como vou me meter com um craque? Vai ficar à vontade. Um cara desses me dá um título. Só falo pra ele ficar esperto porque vai levar pancada, vão dizer que está com onda. É ficar sossegado e driblar. E não ta bom?
Coletiva de imprensa Muricy.

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